DIETA MEDITERRÂNEA, COLESTEROL E SAÚDE CARDIOVASCULAR: NOVAS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

Um estudo publicado em 2026 na revista Lipids in Health and Disease reforça a relação entre a adesão contínua à dieta mediterrânea e a melhora do perfil lipídico em pessoas idosas com alto risco cardiovascular.
A pesquisa acompanhou 4.954 participantes com idades entre 60 e 80 anos, dos quais 62% eram mulheres. A idade média foi de 68,1 anos e o período mediano de acompanhamento chegou a quatro anos. Os dados são provenientes do estudo espanhol PREDIMED, uma das principais pesquisas internacionais sobre dieta mediterrânea e prevenção cardiovascular.
Os pesquisadores avaliaram a adesão alimentar ao longo do tempo e sua associação com:
🔸 níveis de triglicerídeos;🔸 colesterol HDL, conhecido como “colesterol bom”;🔸 relação entre LDL e HDL;🔸 ocorrência de alterações clinicamente relevantes no perfil lipídico.
O que os resultados mostraram?
Em comparação com os participantes que apresentaram menor adesão, aqueles que mantiveram maior adesão à dieta mediterrânea tiveram:
✅ triglicerídeos entre 6 e 12 mg/dL mais baixos;
✅ aumento do colesterol HDL entre 0,8 e 2,3 mg/dL;
✅ melhor relação entre o colesterol LDL e o HDL;
✅ risco entre 21% e 45% menor de desenvolver as alterações lipídicas analisadas.
Entre os participantes que utilizavam medicamentos destinados à redução dos triglicerídeos, a diferença associada à maior adesão alimentar foi ainda mais expressiva, variando de 17 a 41 mg/dL.
Outro resultado relevante apareceu entre as pessoas que inicialmente tinham baixa adesão à dieta mediterrânea. Nesse grupo, cada ponto adicional no índice de adesão foi associado, conforme o tipo de alteração avaliada, a uma redução estimada entre 48% e 91% no risco de dislipidemia. Esse dado deve ser interpretado dentro do modelo estatístico e do grupo específico analisado, não como garantia individual de resultado.
O que caracteriza a dieta mediterrânea?
Esse padrão alimentar valoriza o consumo de frutas, hortaliças, legumes, cereais integrais, leguminosas, oleaginosas, peixes e outros alimentos pouco processados. O azeite de oliva ocupa lugar de destaque como principal fonte de gordura culinária.
É importante observar, porém, que o estudo analisou o conjunto da dieta mediterrânea, e não o efeito isolado do azeite de oliva. Portanto, os benefícios encontrados não devem ser atribuídos exclusivamente a um único alimento, mas à combinação e à regularidade dos hábitos alimentares.
Por que essa descoberta é importante?
Triglicerídeos elevados, colesterol HDL baixo e relações desfavoráveis entre LDL e HDL estão associados ao risco cardiovascular. Os resultados sugerem que a manutenção de um padrão alimentar de qualidade pode contribuir para um perfil lipídico mais saudável durante o envelhecimento, inclusive entre pessoas que já apresentam risco cardiovascular elevado.
A principal mensagem do estudo é clara: não se trata apenas de adotar uma alimentação saudável por alguns dias, mas de construir e manter bons hábitos ao longo do tempo.
Os resultados demonstram associações observadas no acompanhamento dos participantes. Eles não significam que a dieta substitua medicamentos, acompanhamento médico ou orientação nutricional individualizada. Mudanças alimentares, especialmente em pessoas com doenças cardiovasculares ou em uso de medicação, devem ser acompanhadas por profissionais da saúde.
A ciência segue demonstrando que alimentação, prevenção e qualidade de vida caminham juntas — e que a dieta mediterrânea, com o azeite de oliva integrado a um conjunto equilibrado de alimentos, pode ser uma importante aliada do envelhecimento saudável.
Fonte científica: Hernáez, A. et al. Yearly attained adherence to Mediterranean diet, estimated trajectories of lipid profile from 60 to 80 years, and onset of clinical dyslipidemias in older adults at high cardiovascular risk. Lipids in Health and Disease, 2026. Acesse o estudo no PubMed



