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Poda em Oliveiras – princípios básicos

Por Emerson Goulart Menezes*

A poda consiste num conjunto de operações que, juntamente com outros tratos culturais (adubação, irrigação e defesa fitossanitária) contribui de forma decisiva para à obtenção de um adequado equilíbrio fisiológico entre a parte vegetativa e reprodutiva, objetivando uma constância produtiva ao longo dos anos.

A poda está alicerçada em 3 pilares fundamentais: a) Proporcionar o equilíbrio da parte aérea em função dos recursos do solo e do ambiente, b) iluminar adequadamente o interior da copa e c) concentrar a produção em zonas que favoreçam à colheita, tornando-a menos onerosa. Com à poda, é possível modificar à arquitetura natural da planta e em consequência influenciar direta ou indiretamente muitos processos fisiológicos.

Principais objetivos

• Manter uma arquitetura sólida da planta; • Equilibrar o crescimento vegetativo com o reprodutivo;

• Favorecer à frutificação;

• Facilitar à execução de práticas culturais.

Base fisiológica e biológica

Para alcançarmos os objetivos acima descritos, é necessário conhecer às relações entre à poda e às partes vegetativa e produtiva das oliveiras. A escolha da forma de condução deve garantir uma adequada iluminação de toda à copa, evitando-se áreas em constante sombreamento. A boa iluminação das folhas é indispensável para garantir uma elevada atividade fotossintética e consequentemente à produção de foto assimilados tão necessários ao desenvolvimento do aparato radical, parte aérea e frutos.

As folhas que se encontram em locais sombreados produzem uma quantidade de carboidratos inferior àquele consumido na respiração, causando um elevado custo para à arvore ao caírem precocemente. A iluminação age positivamente na diferenciação da gema à flor e sobre o desenvolvimento dos frutos. Na porção da copa onde à incidência dos raios solares é inferior à 30%, geralmente não há formação de flores nem frutos. Às azeitonas localizadas na porção superior da copa possuem em geral uma maior dimensão e maior conteúdo de azeite no que diz respeito àquelas localizadas em regiões mais sombreadas (Figura 1).

Os frutos gerados na porção superior da copa se constituem nos organismos com maior capacidade de absorção de assimilados competindo fortemente com às novas brotações porque se utilizam dos assimilados provenientes das folhas e ramos no qual estão inseridos e somente quando em baixa disponibilidade, poderá atrair assimilados de outras partes da planta. No entanto, frutos situados em zonas sombreadas onde há redução de disponibilidade de assimilados, não conseguem atingir todo o seu potencial de desenvolvimento. A exposição dos frutos à radiação direta ainda melhora às características qualitativas do azeite.

Figura 1 – Frutos posicionados nas zonas mais iluminadas da copa possuem uma maior dimensão, maior acúmulo de azeite (Ortega Neto, 1959).

Poda de equilíbrio entre o desenvolvimento da copa e raízes – Nas espécies arbóreas, dependendo das condições ambientais e culturais se estabelece uma relação entre à parte aérea e aparato radical. Quando se elimina uma porção significativa da copa com à poda, naturalmente a planta tende a tentar recompor esta perda com a produção de ramos basais (ladrões), reduzindo com isso o crescimento do tronco, formação de novas raízes e atividade produtiva. Reduzindo a dimensão e/ou a funcionalidade da copa, diminui-se em proporção o desenvolvimento das raízes uma vez que diminui à produção de assimilados. De outra parte, à redução do crescimento radicular atenua o crescimento da parte aérea em função da redução na disponibilidade de seiva bruta para o aparato fotossintética.

Tal relação é particularmente importante nas oliveiras no qual existem interações setoriais entre o aparato radical e partes da copa onde um ramo principal (pernada) corresponde a uma raiz principal. No entanto, a eliminação de um ramo principal pode provocar a decadência do aparato radical. Neste caso, quando devemos substituir um ramo principal (pernada) temos que ter disponível algum ramo ladrão para substituí-lo. Em decorrência da idade da planta, ou de podas irracionais pode ocorrer acúmulo de material lenhoso que por sua vez demandam muitos recursos para sua manutenção em detrimento de brotações novas e raízes. Consequentemente, acarreta redução da superfície foliar e da taxa fotossintética, reduzindo à absorção de água e nutrientes e instaurando um círculo vicioso que levará à senescência da árvore.

A poda deve proporcionar à elevação da relação folha/lenho, sobretudo proporcionando a renovação da estrutura lenhosa envelhecida e evitando a remoção da vegetação. Considerando que nas oliveiras os ramos tendem a frutificar na porção mediana e basal e as brotações na parte apical se não se efetua uma poda de correção adequada a planta tenderá a acumular madeira. Para evitar que isso ocorra se faz necessário à eliminação de ramos exauridos substituindo-os por brotações formadas na base destes ramos.

Poda de equilíbrio entre a atividade vegetativa e produtiva – Nas oliveiras às inflorescências se formam sobre os ramos de um ano, isto é, formado no ciclo precedente. Quando à atividade produtiva é excessiva (carga elevada) reduz significativamente o desenvolvimento vegetativo prejudicando a produção do ano sucessivo. De outra parte, quando se observa uma elevada atividade vegetativa normalmente resulta numa redução da diferenciação de gemas à flor, pegamento e em consequência da produção.

Para a obtenção de uma boa produtividade é necessário buscar o equilíbrio entre as duas fases. Este equilíbrio favorece o desenvolvimento de brotações com bom potencial produtivo, isto é, àqueles de médio comprimento (20 a 60 cm), horizontais ou pêndulos posicionados em zonas bem iluminadas da copa.

Em relação a resposta das oliveiras ao manejo da poda devemos considerar o seguinte:

• Nas plantas jovens uma poda intensa acentua o vigor e retarda a entrada em produção;

• Nas árvores que produziram bastante no último ano, pequenos cortes estimula a formação de novas brotações mais do que poucos cortes significativos, portando existe uma correlação entre à quantidade de vegetação removida e o crescimento vegetativo;

• Em função da direção e inclinação do ramo ou das brotações pode ocorrer alterações no seu equilíbrio vegetativo/produtivo onde um ramo anteriormente vegetativo torna-se produtivo em função da redução em seu vigor;

• Uma oliveira com escassa disponibilidade nutritiva reagirá moderadamente à poda, mesmo que tenha sido intensa.

Tipos de poda

Poda de formação – Tem por objetivo proporcionar uma estrutura robusta e funcional da árvore e favorecer a precoce entrada em produção. Durante os primeiros anos devemos reduzir às intervenções de poda para fomentar o desenvolvimento normal da planta. A escolha do tipo de poda dependerá das características das cultivares, densidade de plantio e do sistema adotado. O sistema mais recomendado para nossa latitude é o de vasos policônicos onde deixa-se o tronco livre, sem ramificações com altura de 1 metro e 3 a 5 pernadas dispostas em uma inclinação de 30 a 45º que favorecerá à colheita mecanizada. O número inicial de pernadas pode ser maior objetivando maior acumulação de fotoassimilados. Com o passar dos anos, adequa-se ao sistema de condução escolhido.

A poda de formação pode ser realizada em “verde” no final da primavera ou durante o crescimento vegetativo da planta.

Figura 2 – Poda de formação

ERROS COMUNS

Figura 3 – Planta com excesso de ramificações

Figura 4 – Mesmo ponto de inserção dos ramos principais

Figura 5 – Excesso de ramificações causando sombreamento e desfolha na porção basal da co

Objetivos

1) Favorecer o crescimento e a precoce entrada em produção

2) Promover à iluminação da copa

3) Favorecer o controle de pragas e doenças

4) Facilitar às operações culturais

Poda de frutificação – Objetiva proporcionar uma boa iluminação do interior da copa, manter o equilíbrio entre a parte vegetativa e reprodutiva, proporcionando produções constantes, abundantes e de qualidade. Reduzir os riscos de surgimento de pragas e doenças e facilitar às operações culturais.

Num olival adulto, nunca podado, a porção superior da copa é tomada por ramos ladrões muito desenvolvidos em quanto que à base sombreada e pouca arejada, está sujeita ao ataque de parasitas. Nos primeiros anos a planta pode até produzir uma boa quantidade de frutos, no entanto, ocorre uma elevada queda dos mesmos que não atingem o grau de maturação ideal e possuem um baixo conteúdo de azeite.

A forte concorrência exercida pela carga de frutos deprime o desenvolvimento vegetativo, desencadeando na planta uma elevada alternância de produção. Uma poda equilibrada restabelece à iluminação, ventilação e produção de brotes de tamanho médio com predomínio de gemas frutíferas. Como regra geral, em olivais equilibrados e em produção, devemos suprimir com a poda no máximo 1/4 da vegetação.

Época

A poda de formação deve ser realizada preferivelmente no período primavera/verão enquanto que à poda de produção deverá ser executada no período de repouso vegetativo (inverno), eventualmente poderá ser realizada alguma intervenção no verão objetivando à eliminação de ramos ladrões. Uma poda precoce pode predispor a planta a uma maior sensibilidade à baixas temperaturas enquanto que uma poda tardia pode deprimir o desenvolvimento vegetativo primaveril.

Frequência

A frequência em que se efetua a poda pode ser anual, bianual ou polianual.

• A poda anual leve atua no combate à alternância de produção garantindo um bom arejamento da copa, reduz os ataques parasitas e aumenta a longevidade da árvore. Todavia, implica na elevação de custos de manutenção e induz o produtor a remover uma quantidade de vegetação acima do potencial produtivo da planta.

• A poda bianual é enérgica e se efetua depois de um ano de boa carga produtiva. Elimina-se ramos exauridos, ramos internos vigorosos (ladrões) e ramos doentes. Em geral à poda bianual comporta redução dos custos de mão de obra em comparação com à poda anual, porém devido aos cortes maiores pode favorecer à alternância de produção.

• A poda polianual é muito enérgica e se efetua a cada três ou quatro anos promovendo o rebaixamento da copa e eliminação de ramos principais e secundários, tem como inconveniente o precoce envelhecimento da planta.

Intensidade

Uma poda adequada promove um equilibrado desenvolvimento da parte aérea e do sistema radicular que consente uma frutificação compatível com à disponibilidade nutricional e hídrica. A indicação de uma poda bem realizada é a formação de brotações novas com comprimento de 20 – 60 cm em posição horizontal ou pendular. Uma poda muito leve resulta na excessiva densidade da copa com consequente sombreamento, redução do tamanho dos frutos e do conteúdo de azeite e maiores danos causados por parasitas. De outro lado uma poda muito intensa induz uma forte brotação de ramos ladrões no interior da copa e sobre à base da planta reduzindo à atividade produtiva. Como regra geral, a quantidade de vegetação removida através da poda não deverá ultrapassar 20-30% do volume total.

*Engº Agrº, MSc, Especialista em Olivicultura pela Universidade dos Estudos de Perugia, Itália, Responsável Técnico da Azeites do Pampa Agroindústria Ltda e Consultor em Olivicultura

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